sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Felicidade não se compra

Depois de dirigir clássicos da década de 30 como "Aconteceu naquela noite", "A mulher faz o homem" e "Do mundo nada se leva", o primeiro filme do diretor norte-americano Frank Capra realizado no pós-guerra exalta os valores éticos e fraternais de George Bailey (vivido por James Stewart), um homem apaixonado e de bom coração que cresce na pequena cidade de Bedford Falls, em Connenticult, mas que sonha em viajar pelo mundo. O dever, no entanto, está sempre entrando no caminho para frustrar esse sonho. Casado com a apaixonante Mary (personagem de Donna Reed), George se vê em sérias dificuldades financeiras por consequencia de sua bondade em ajudar os trabalhadores da cidade a comprarem suas próprias casas. Em meio a essa situação desesperadora, está a beira do suicídio quando é resgatado por Clarence (Henry Travers), seu anjo da guarda, que lhe mostra como tudo seria diferente se ele não houvesse nascido.
Baseado em "The Greatest Gift", um conto escrito em um cartão de natal por Phillip Van Doren e lançado em 1946 sob críticas conflitantes, “A felicidade não se compra” foi indicado a cinco prêmios Oscar (incluindo Melhor filme), porém não venceu em nenhuma categoria, deixando o prêmio principal para “Os melhores anos de nossas vidas” do diretor William Wyler. Os fãs de cinema do pós-guerra, na ocasião de seu lançamento, descontentaram-se com seu conteúdo excessivamente sentimental, o que prejudicou a bilheteria no ano de lançamento.
Na década de 60, o copyright dessa bela obra expirou, o que permitiu a circulação a baixo custo de uma versão de "domínio público" e exibições frequentes na TV. Reprisado à exaustão por volta das festas de fim de ano, foi considerado um exemplo de “filme para toda a família”. Hoje, mais de 60 anos após seu lançamento, "A Felicidade não se compra" continua sendo um dos mais queridos filmes pelos amantes do cinema de todos os tempos por conta de sua mensagem otimista.


It’s a Wonderful Life / E.U.A. / 1946

domingo, 8 de novembro de 2009

Dia do Cinema Nacional Cinemark

Hoje é o dia da campanha em comemoração aos dez anos do Projeta Brasil Cinemark, evento que dedica um dia inteiro (9 de novembro), anualmente, ao cinema nacional. Em todas as salas da Rede no país, recentes produções brasileiras serão exibidas com ingressos ao valor simbólico de R$ 2. Até o ano passado, o projeto atraiu cerca de 1,4 milhão de expectadores.
Com criação da Z , a campanha entrou no ar no final de semana passado abrangendo TV (aberta e fechada), mídia impressa, rádio e ações em PDV (ponto-de-venda), e será veiculada até o dia 9 de novembro.
A Media Contacts é a responsável pela divulgação do projeto nas redes sociais. A campanha tem criação de uma página oficial do evento no Facebook, um Twitter com conteúdo de curiosidades sobre os filmes do Projeta Brasil Cinemark e um canal exclusivo de trailers no YouTube.
A renda arrecadada com a bilheteria será revertida para projetos de incentivo à produção cinematográfica nacional, como prêmios para longas e curtas e apoio a festivais de cinema, como o Festival do Rio.

Fonte: AdNews

sábado, 30 de maio de 2009

A Experiência

A natureza destrutiva da raça humana é o tema central de “A Experiência” (Das Experiment). Vinte homens selecionados através de um anúncio de jornal publicado pelo Dr. Klaus Thon (Edgar Selge) fazem parte de uma experiência sobre o comportamento humano. A idéia é separá-los em oito guardas e doze prisioneiros, mantê-los durante quatorze dias em uma prisão simulada e vigiada por câmeras em tempo integral pela equipe do Dr. Thon. Independente do que se passasse durante o experimento, depois das duas semanas propostas todos receberiam um prêmio em dinheiro pela simples participação.

À primeira vista esse tipo de experiência pode parecer uma tarefa simples, mas o espírito de competitividade e auto-afirmação do ser humano dificulta qualquer tipo de convivência, mesmo sendo simulada e por tão pouco tempo. Logo após o computador do laboratório separar os vinte participantes em guardas e prisioneiros, percebe-se a satisfação dos guardas em comandar e a preocupação dos prisioneiros em serem comandados. A partir desse ponto, com cada indivíduo a par da sua situação na hierarquia provisória, inicia-se a trama central da narrativa: Os limites da convivência entre seres humanos.









O filme é um thriller pesado, muito bem direcionado do ponto de vista da criação, mas totalmente desordenado se tratando do rumo dos personagens. Com um bom trabalho de edição e uma boa história para se contar, é inevitável que o resultado final seja satisfatório, mas no caso de “A Experiência” existiram algumas tramas paralelas visivelmente enxertadas sem um propósito aparente. Outra característica visível no filme é o sincronismo exagerado entre as ações dos personagens – com atitudes hediondas e improváveis que serviram de “liga” para situações extremas – tal como a mocinha dos filmes de terror que demonstra ter medo de tudo desde o início do filme, mas sai à noite durante a chuva porque “escutou um barulho estranho”.

O roteiro é baseado no livro “Black Box” do escritor Mario Giordano – que também participou na criação do roteiro junto com Don Bohlinger e Christoph Darnstädt – e influenciado na real experiência do Prof. Philip Zimbardo realizada em 1971 na Universidade Stanford, considerado “o estudo mais anti-ético de todos os tempos”, conforme declaração do próprio Zimbardo em entrevista cedida à repórter Claudia Dreifus do New York Times.

A direção é do alemão Oliver Hirschbiegel, cuja filmografia se completa com “A Queda! – As últimas horas de Hitler”, “Invasores” (com Nicole Kidman e Daniel Craig) e “The School”. “A Experiência” foi o filme de estréia do diretor, mas já com um elenco de primeira incluindo Christian Berkel (A Queda! e Operação Walkíria) no papel de Steinhoff, um ex-combatente dentre os prisioneiros que faz dupla com Tarek Fahd, um taxista ex-repórter também prisioneiro interpretado pelo alemão Moritz Bleibtreu (Corra Lola Corra e Munique) e Justus von Dohnanyi (A Queda! e 007 – O mundo não é o bastante) no papel de Berus, chefe dos guardas e dono de um temperamento doentio com impressionante poder de liderança.

Das Experiment / Alemanha / 2001

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Terror bíblico de Lars Von Trier recebe gargalhadas, aplausos e vaias em Cannes













Diretor de filmes tão densos quanto polêmicos - "Dançando no Escuro", "Dogville" -, o dinamarquês Lars Von Trier conseguiu mais uma vez acender a fogueira da polêmica em Cannes.
Seu novo filme, o terror "Anticristo", recebeu risos e até gargalhadas durante a sessão de imprensa. Ao final, a plateia se dividiu entre vaias e aplausos - a maioria vaiava.

"Anticristo" é o tipo de filme que os críticos vão amar odiar, e outros vão amar sem entender muito por quê. Será avaliado como péssimo por uns e uma obra-prima por outros. Ao final da sessão, quase nenhum jornalista aceitava dar entrevista para os canais de TV e internet que cobrem o festival, porque ninguém conseguia formar uma opinião.
Von Trier realizou o filme após uma grave depressão que viveu há cerca de dois anos, e que o fez interromper a escritura do roteiro. No material de divulgação, ele afirma que boa parte das imagens de "Anticristo" veio dos seus sonhos, que a trama tem apenas o mínimo necessário para mostrar essas imagens, que não pede desculpas pelo filme, e que o considera o mais importante de sua carreira.

O máximo que se pode dizer sem estragar a surpresa: devastados com a perda do filho, um casal (Willem Defoe e Charlotte Gainsbourg) se refugia em uma casa isolada no meio de uma floresta. Ela sofre e chora muito com a perda, ele cuida dela como se fosse um terapeuta. Von Trier reveste todo o seu filme de tons bíblicos, como se Adão e Eva voltassem a uma espécie de inferno final, ou inferno original - a floresta, não por acaso, se chama Éden. Desde o início, o conceito do sexo é ligado ao da morte, em algumas imagens poderosas e outras apenas chocantes.

O filme vai dividir opiniões, mas uma coisa é certa: o prólogo em preto-e-branco, que conta em poucos planos a história trágica do casal, tem as mais belas imagens já feitas por Von Trier, ao som de uma sinfonia de Handel. A parte da floresta, dividida em capítulos, não chega a ser assustadora, mas contém cenas de impacto envolvendo violência com genitália, muito sangue e um desespero crescente dos personagens.

Nem Von Trier deve entender os sonhos que teve - e o cinema não precisa mesmo passar pela compreensão. Mas "Anticristo" ainda vai render muito debate nos próximos meses. O filme já tem estreia garantida no Brasil, pela distribuidora Califórnia, mas a data ainda não foi definida.



Fonte: Uol Cinema